Pouco conhecido no Brasil, mas muito elogiado pela crítica da Europa, o cinema africano ganha uma mostra só para ele no Centro Cultural Banco do Brasil.
O Festival mostra a superação das dificuldades mais graves e imediatistas, trazendo de maneira poética e leve a luta pela a liberdade de expressão e aceitação das diferenças. São ao todo 16 películas, entre curtas, médias e longas-metragens diferentes, abordando os mais variados temas, aproximando a real história dramática da população que trouxe tanta identidade ao Brasil.
A assessoria do evento aponta a contradição cultural fundamentada em um inconsciente de preconceito social. Ao mesmo tempo em que o brasileiro despreza a arte africana, por considerá-la um produto da pobreza, o brasileiro tem seu cotidiano permeado por manifestações com raízes na África, como o samba, o carnaval e a feijoada. Já as criações norte-americanas, vistas aqui como sinônimo de status, são bem aceitas pelas pessoas, principalmente pelas elites.
Daí importância e preocupação da parceira com a Embaixada da França que trouxe sua Cinemateca ao Brasil, possibilitando trazer um pouco da real cultura africana ao apresentar esses documentários.
As apresentações estão disponíveis nos próximos quatro dias no CCBB de Brasília (Centro Cultural Banco do Brasil - SCES, Tr. 2, Lt. 22 - Asa Sul - 3310-7087). A exposição não recomendada para menores de 14 anos. A entrada é franca.
Confira a programação:
Dia 9 de abril (Quinta)
18h30 - Taafe Fanga, Poder de saia (103min)
De Adama Drabo. Cor. 103min. O ilustre feiticeiro africano Sidiki Diabaté nos convida para a falésia de Bandiagara, ao passado do povo Dogon . L'Albarga, a máscara dos espíritos da falésia, símbolo de poder, cai nas mãos de Yayème, uma adolescente, e provoca uma desordem em Yanda. As mulheres trocam a saia pelas calças dos homens. Maldição? Castigo Divino? O poder das mulheres se instala. A nova ordem resistirá a todas as contradições?
20h30 - Fary L’Anesse (21min)
De Mansour Sora Wade. Cor. 21min. Ngor e Coumba moram num vilarejo árido no Senegal. Há dois anos Ngor deseja esposar Coumba, mas, uma vez mais, a colheita anual foi ruim: as chuvas irregulares não foram favoráveis para que a colheita do amendoim, única cultura herdada da colonização, proporcionasse ganho suficiente para o casamento.
- O regresso de um aventureiro (34min)
De Moustapha Alassane. Cor. 34 min. De regresso de uma viagem aos Estados Unidos, um jovem nigeriano oferece aos amigos da sua aldeia equipamentos de cowboys. A gangue vai perturbar a vida da aldeia e vai transformá-la numa cidade do velho oeste americano.
- Os cowboys são negros (15min)
De Serge-Henri Moati, DVD, p&b, 15min. Moustapha Alassane, cineasta nigeriano, realizou "O Regresso de um Aventureiro", primeiro western africano. Este filme conta a historia da gravação deste filme de ação e de amor e mostra-nos como é tênue a fronteira entre a realidade e a ficção, o cinema e a vida.
Dia 10 de abril (Sexta-feira)
*Feriado de sexta-feira da paixão
Dia 11 de abril (Sábado)
16h30 - Bako, a outra margem (109min)
De Jacques Champreux, DVD, cor, 109min. A lenta imersão na miséria, o desprezo e, por vezes, a morte por que passam milhares de homens deslumbrados pela miragem de "Bako", palavra bambara que significa "a outra margem", utilizada pelos imigrantes nordestinos do Mali para designar a França.
18h30 - Fad, Jal (113min)
De Safi Faye. Cor. 113min. Fad,Jal é a crônica de um povoado sérère da região do cultivo do amendoim no Senegal. Os aldeões testemunham, através da fala dos anciãos, a história do povoado transmitida pela tradição oral, e sobre as dificuldades que eles têm para explorar sua terra e para se alimentar de sua produção.
20h30 - Os combatentes africanos da Grande Guerra (82min)
De Laurent Dussaux, dvd, p&b, 82min. Constituído de documentários rodados no Senegal e em Burkina Fasso e de documentos de arquivos, este filme propõe um novo olhar da história, por meio de testemunhos de ex-combatentes sobreviventes e registros históricos e raros, como o embarque das tropas em Dakar, a travessia até a França e a vida nas trincheiras.
Dia 12 de abril (Domingo)
16h30 - Finzan (105min)
De Mali Cheick Oumar Sissoko. Cor. 105 min. Este filme confronta as tradições patriarcais do Mali, incluindo a controversa questão da circuncisão feminina. A viúva recente Nanyuma se sente livre do tratamento cruel de seu falecido marido. Ela sai da aldeia com sua sobrinha Fili, mas é eventualmente forçado a regressar. Nanyuma percebe que sua única chance de reclamar a sua própria liberdade será abandonando a comunidade.
18h30 - E não havia mais neve... (22min)
De Ababacar Samb Makharam. P&B. 22 min. Um jovem bolseiro senegalês regressa da França. O que ele aprendeu? O que ele esqueceu? Que caminho ele irá escolher para o contato com as novas realidades africanas? Os problemas que se colocam na juventude africana expostos com franqueza, coragem e humor.
- Jom ou a História de um povo (76min)
De Ababacar Samb Makharam. Cor. 76min. O Jom é a origem de todas as virtudes, a dignidade, a coragem, uma certa beleza do gesto, a fidelidade do compromisso, o respeito pelo outro e por si mesmo. Klaly, o feiticeiro africano, encarnação da memória africana, atravessa as épocas para ser uma testemunha da resistência à opressão: a que opõe o colonizador ao povo escravizado, o senhor ao criado, o patrão aos operários.
20h30 - Tabataba (79min)
De Raymond Rajaonarivelo. P&B. 79min. Em 1947, os habitantes da aldeia de Tanala na costa leste de Madagáscar, participam da grande revolta contra a colonização francesa. A história da insurreição e da sua repressão é vivida através dos olhos de Solo, jovem rapaz para quem a vida quotidiana e a infância nunca serão abaladas.

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